PRF – 12 policiais são presos por corrupção em Sergipe

Publicada: 12/06/2008 – http://www.jornaldacidade.net
Texto: Ailton Sousa/Fotos: Jorge Henrique

Agentes da Polícia Federal e da Rodoviária Federal, com o auxílio do Ministério Público Federal e Justiça Federal em Sergipe, prenderam na manhã de ontem, durante a operação “Passadiço” – passagem livre – 12 policiais rodoviários federais – alguns deles já respondem a procedimentos administrativos -, cinco caminhoneiros, duas empresárias – uma do ramo de transporte de cargas e outra de passageiros -, e dois zeladores de empresas terceirizadas, que trabalhavam nos dois postos.

Com a operação de ontem, a polícia começou a desmontar o esquema de corrupção que vinha funcionando, a princípio, nos postos da PRF de Malhada dos Bois e Cristinápolis para não apreender e multar caminhões que trafegavam sem nota fiscal e com peso acima do limite, além de veículos de passageiros sem o selo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

As prisões que aconteceram em Aracaju, Malhada dos Bois e Cristinápolis foram decretadas pelo juiz substituto da 7ª Vara da Justiça Federal, Ronivon Aragão. Além das 19 prisões, os agentes federais cumpriram 30 mandados de Busca e Apreensão em estabelecimentos comerciais e residências dos acusados em Aracaju, Boquim, Estância, Umbaúba, Cristinápolis, Pedrinhas, Nossa Senhora do Socorro e Santo Amaro das Brotas.

Os nomes dos presos, segundo o superintendente da PF em Sergipe, delegado Paulo Fernando Barbosa, não foram divulgados porque o processo segue em segredo de justiça. As investigações sobre a quadrilha ainda estão em andamento e podem levar a identificação de outros policiais rodoviários, motoristas e empresários envolvidos.

Nas escutas telefônicas, com autorização judicial, começaram em outubro do ano passado e nelas policiais rodoviários foram flagrados em conversas nas quais falam sobre o esquema de corrupção montado, pedindo pagamento a particulares para que não houvesse a apreensão dos veículos. “Aqueles que aparecem nas conversas telefônicas serão chamados para se explicar”, disse o procurador federal, Rui Nestor.

As conversas gravadas revelaram que policiais rodoviários também orientavam motoristas a não passar nos postos da PRF nos dias em que policiais que não faziam parte do esquema estavam de plantão. As investigações apontaram que as câmeras do circuito interno de gravação do posto de Cristinápolis eram desligadas sistemática e propositadamente, para que os acertos entre os acusados não fossem registrados. Uma outra linha de investigação está voltada para descobrir se do esquema de corrupção também fazia parte a liberação da passagem de cargas e veículos roubados.

Pista liberada

“ Aoperação não é contra a instituição e sim para definir e apurar quem, embora faça parte da corporação, se afastou do juramento de policial”, disse o superintendente da PF em Sergipe, delegado Paulo Fernando Barbosa. O trabalho é resultado de oito meses de investigações da PF e começou a partir de denúncias anônimas que chegaram a Corregedoria da PRF entre 2006 e 2007. A “Passadiço” envolveu 150 agentes da PF de Sergipe, Alagoas, Paraíba e Bahia e mais 50 da PRF, coordenados pelo superintendente da Rodoviária Federal no Mato Grosso do Sul, inspetor Valter Favaro.

Segundo o procurador da República, Rui Nestor, foram encontrados indícios de prática de corrupção. Todo material apreendido, que vai desde relatórios de ocorrências a agendas telefônicas, será analisado para que o Ministério Público Federal (MPF) possa oferecer a denúncia. “É elogiável o trabalho da PRF que se propôs a combater o ilícito no interior da instituição e punir os maus exemplos de conduta”, disse Nestor, acrescentando que não é a PRF quem está sendo combatida e sim uma minoria de servidores.

Esquema

Os valores pagos aos policiais rodoviários variavam de R$ 10 a R$ 300, no entanto, a sua periodicidade, que não se sabe se era diária ou semanal, fazia do dinheiro arrecadado uma espécie de complemento salarial para os policiais rodoviários envolvidos. Os acusados evitavam trabalhar nas escalas de plantões com policiais que não se enquadravam no esquema. Para o superintendente da PRF no Mato Grosso do Sul, inspetor Favaro, o prejuízo maior não é o financeiro e sim os riscos do excesso de peso das cargas e da condução de veículos por motoristas sem habilitação.

De acordo com o que foi apurado, os zeladores dos postos atuavam como intermediários entre motoristas e empresários com os policiais rodoviários federais. Além disso, eles também passavam informações sobre o funcionamento dos postos, avisando a presença de policiais honestos, que não se enquadravam no esquema de corrupção. O superintendente da PF informou que até o momento não se tem dados concretos sobre como se dava a participação de cada um dos envolvidos no caso.

“Só com o andamento das investigações é que poderemos definir qual deles teve maior ou menor participação no esquema. O que se sabe é que agiram várias vezes e em conjunto”, disse Paulo Fernando Barbosa. O inquérito tem 15 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado pelo menos período. Depois o procurador federal tem cinco dias para oferecer a denúncia.

Os 12 policiais rodoviários federais – um deles estaria aposentado – foram encaminhados para o Presídio Militar, enquanto os cinco motoristas e os dois zeladores para o Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan) em São Cristóvão. Já as duas empresárias foram levadas ao Presídio Feminino. Eles devem ser indiciados por corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional e formação de quadrilha.

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