Diminui número de mortes nas estradas
Fiscalização eletrônica: no Km 4 da BR-222, na Avenida Mister Hull, o radar móvel controla a velocidade dos veículos na tentativa de impedir abusos dos motoristas (Foto: Kid Júnior) O maior rigor para as ultrapassagens indevidas e consumo de álcool é responsável pela redução das estatísticas A utilização de radares volantes, que mudam de local diariamente para pegar os motoristas que dirigem além do limite de velocidade permitida, contribuiu para a redução de acidentes com mortes nas rodovias federais no Ceará.
Este ano, de janeiro a setembro, foram registrados 101 óbitos, enquanto que no mesmo período do ano passado, foram 134. Mas, eles não foram as únicas estratégias usadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as vias e garantir a segurança de condutores e pedestres nas BRs 116, 222, 304, 230 e 020. O maior rigor para as ultrapassagens indevidas e o consumo de álcool é também responsável pela redução das estatísticas, avalia o inspetor de fiscalização da PRF, Stênio Pires. “Estes são os principais causadores de acidentes nas estradas federais”. Muitas vezes, diz ele, é flagrada uma combinação dos três fatores, ou seja, o condutor embriagado, com excesso de velocidade e ultrapassando de forma irregular. “Nesses casos, que não são raros, o motorista se torna um perigo quase fatal”. O jogo duro no combate ao excesso de velocidade, afirma, obedece a um planejamento estratégico que vem dando certo. O equipamento, que fica a alguns centímetros do chão, tem a capacidade de fotografar os veículos que passam em alta velocidade, rendendo a eles um auto de infração. O número de infrações por velocidade excessiva, diz Stênio Pires, entre janeiro e setembro, pode ser maior do que o detectado pelos radares. É que no início do ano, os equipamentos passaram por manutenção e ficaram sem uso por vários dias. O Ceará tem apenas dois equipamentos em rodovias de administração federal e ambos ficaram sem funcionar, o que pode ter contribuído para as subnotificações.
De acordo com o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Guedes Neto. 100 novos equipamentos de fiscalização eletrônica serão instalados nas rodovias federais que cortam o Ceará, a partir do primeiro semestre do próximo ano. Para isso, o edital já saiu e uma licitação está sendo realizada em Brasília. Pedestres Do total de 101 mortes registradas nas BRs que passam pelo Ceará, entre janeiro e setembro deste ano, 40 foram pedestres e 16 ciclistas. “Eles são nosso maior desafio porque não podem ser flagrados pela fiscalização”, salienta Stênio Pires. Para o presidente da Associação Brasileira de Pedestres, Eduardo José Daros, só será possível reduzir os números de mortes quando for proibida a circulação de pedestres nos acostamentos das rodovias, especialmente nas concedidas, cujos limites de velocidade são mais altos. O acostamento, argumenta, é um espaço de emergência para os veículos, não é apropriado para pedestres. “E quando ele está ali, sente-se mais estimulado a cruzar”. Como agravante, afirma, há a circulação de pessoas à noite, quando a visibilidade é mais baixa. Segundo Daros, é necessário criar vias paralelas exclusivas para pedestres ou ciclistas. “É a lei do menor esforço. Se a pessoa tem acesso à rodovia e está tão próxima de atravessar, não vai se dar ao trabalho de ir até a passarela”, avalia o presidente da Associação. POR DIA 50 mil carros circulam na Avenida Mister Hull O radar móvel também está presente na BR-222. Dos 50 mil carros que passam por dia pelo local, cerca de 200 são flagrados pelo radar móvel em velocidade acima do permitido.
O medo de ser flagrado pelo radar faz a maioria das pessoas trafegar na velocidade permitida. O que mostra que a iniciativa está dando certo é a diminuição do numero de mortes na rodovia. De Janeiro a Setembro de 2008 aconteceram 63 mortes na BR-222, no mesmo período deste ano foram 31 mortes. O numero de feridos também diminui. Em 2008 foram 567 entre janeiro e setembro. Este ano, no mesmo período, 475. Para o inspetor, Darlan Antares, responsável pela Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal (PRF), esses números mostram que a fiscalização está sendo eficiente “As pessoas estão passando pela BR na velocidade permitida, 60 km/h, e por isso estão com tempo suficiente para raciocinar e agir para evitar um acidente”, assegurou. Fiscalização Motoristas, que circulam diariamente na rodovia federal, estão divididos quanto a fiscalização eletrônica. Alguns elogiam a iniciativa da PRF, outros criticam, argumentando que, antes de multar, o órgão deveria realizar campanha educativas. “A impressão que nos dá é que a PRF está atrás de dinheiro. Multa para conseguir arrecadar”, diz Francisco Ribeiro Maciel, 54 anos, dos quais 22 como taxista. “Nós não podemos ficar dando dinheiro ao governo”, complementou Márcio Fortes, 44 anos, que diariamente circula pela Avenida Mister Hull. Já o mototaxista Silvério Rios, 23 anos, aposta na fiscalização como forma de diminuir os acidentes, provocados por imprudência dos condutores de veículos. “Já vi muitos acidentes causados por excesso de velocidade e manobras irregulares”. O aposentado Marcus Pinheiro, 65, também relata casos de acidentes provocados por excesso de velocidade na área urbana de Fortaleza. “As pessoas pensam que, por ser BR, podem dirigir em alta velocidade. O que é um desrespeito à vida.